DIGRESSÃO do grupo de Batuque FINKA-PÉ na Bélgica

28 de Novembro a 6 de Dezembro de 2003

Imigrantes Africanos, uma mais-valia para Europa

Um intercâmbio para promover a Europa Social e a Europa Cultural

Os 14 membros de FINKA PÉ receberam um convite para uma digressão na Bélgica da parte dos dinamizadores das lojas do Comercio Justo em GEEL no Norte da Bélgica.

O objectivo foi a troca de experiências com:

§O pessoal, os jovens e os pais utentes de "ELKEEN", um Centro de acolhimento, orientação e observação para crianças e jovens marginalizados ou/e colocados pelo tribunal de menores. Trocamos experiências e metodologias.
ELKEEN organizou no dia 29/11 uma festa para angariação de fundos. O centro recebe 80% dos custos de trabalho do Estado Belga, mas os custos para médicos/dentistas/oculistas, para transporte e material de escola, para excursões devem angariar através de acções, festas. As mulheres de batuque participaram na preparação da festa, confeccionando cachupa de atum, doce de coco e doce de papaia, umas delícias de Cabo Verde.

§Responsáveis dum Centro Cultural e Técnicos de psicoterapia EMDR. A terapia EMDR utiliza elementos básicos do batuque. Houve troca com Greet Wielemans, Psicoterapeuta do Projecto "Criminalidade e Concepção do Mundo" e Gie de Boutte, Investigador da Faculdade de Direito, Departamento do Crime Penal e Criminologia da Universidade de Leuven Bélgica

§Sindicalistas do sector de Alimentação do ACV, do distrito de Turnhout

§Dinamizadores do WERELDWINKEL, Loja do Comercio Justo. As mulheres de batuque participaram numa festa/feira de solidariedade com os povos em África, ZUIDERGEKTE.

§Promotores de Desenvolvimento local e valorização do Ambiente e dos Agricultores em Bazel.

 

Sexta-feira, 28 de Novembro 2003

Partida da Associação Moinho da Juventude às 7h.
A Totta não aparece, não obstante as buscas do Paiva e do Eduardo.

Partida de Lisboa às 9h50 Voo 0503 Virgin. Chegada às 13h35

Acolhimento, no aeroporto de Zaventem às 14h30.. porque o aeroporto é tão grande!!!!

Estavam lá a nossa espera, com Bandeira Portuguesa, Dimpke, Pierre, Kris, Gust, Laurent, Emilienne!

Este acolhimento agradou imenso a todos, e apercebemo-nos que tínhamos esquecida a bandeira do Moinho e a bandeira de Cabo verde...

Em Rumst fizemos a primeira paragem: tarte e café / chá flamenga!

17H. Acolhimento e Lanche na Loja do Comercio Justo em Geel: estavam presentes voluntários da Loja, os membros do Conselho do Terceiro Mundo da Câmara, os responsáveis do Festival "Zuidergekte" e as famílias de acolhimento, que fizeram um discurso oficial. Vieram uma jornalista e um fotógrafo do Nieuwsblad e também do Laatste Nieuws.

19H. Recebimento oficial na Câmara de Geel pelo Presidente e a vereadora do pelouro "cooperação no desenvolvimento".

Finka Pé cantou e encantou.. o Presidente e as famílias de acolhimento.

O Presidente ofereceu um prato de vidro da cidade e a cerveja de GEEL, que foi muito apreciado!

Virginia ofereceu uma medalha da cidade de Amadora.

20H. Divisão pelas famílias. Alguma angústia. Partida para as famílias de Acolhimento. Jantar nas famílias.

 

 

Sábado, 29 de Novembro 2003

Encontramo-nos na Loja do Comercio Justo de Geel. Todos estavam radiantes com o acolhimento nas famílias.

A Joana estava com febre.. já a tinha trazido do Portugal.. A farmácia ao lado foi a solução!! Comprou-se um óptimo medicamento.

Saímos por volta das 11h, com 2 carrinhas, para Hasselt em Limburg.

Entramos por volta de meio dia em ELKEEN e depois dirigimo-nos para o Centro Paroquial Santa Catarina e ali estavam os colegas da Dimpke a preparar a sala para a Festa Anual de ELKEEN para angariação de Fundos.

Joana ficou a dormir no quarto dos responsáveis do ELKEEN.

Estava pronto uma mesa decorada com almoço a maneira Flamenga..

A seguir alguns prepararam, sob a direcção de Dona Ida e Filo, na cozinha, 2 grandes panelas de cachupa, doce de papaia e de coco.

Outras ajudaram para preparar as mesas e os enfeites. Pareceu uma festa de casamento com batuque na cozinha!

O cozinheiro nunca cozinhou tão divertido... Foi notável o cuidado do cozinheiro: sabendo do facto que o grupo ia precisar de bastante espaço para fazer a cachupa de atum, preparou tudo de véspera, de forma que só precisava de aquecer a comida e que deixava para nós o fogão e as panelas.

Paula de ELKEEN escreveu a poesia "BATUKU" em crioulo e em inglês em panos de linho para enfeitar a sala, panos muito bonitos que nos ofereceu.

Entretanto o telefone foi o objecto mais desejado ... para ouvir notícias dos familiares

Vieram mais de 300 pessoas para o jantar. Lalaxu ajudou a servir a cachupa, que foi muito apreciada, como foram as doces.

Entretanto decorreu o Workshop "DJEMBE" coordenado por Jeroen, Pieter e Chris. Algumas das batucadeiras participaram.

Depois é que se mostrou o vídeo "Mulheres de Batuque" e o Powerpoint do Moinho sob grande interesse. Estava presente a nova estagiaria e os pais... fizeram muitas perguntas.

As mulheres actuaram 2 vezes, cada vez com muito sucesso e grande participação. Foi um ambiente muito caloroso e os responsáveis de ELKEEN avaliaram: "Foi a melhor festa de ELKEEN".

Partimos à 22h30 e chegamos antes da meia-noite em Geel.

 

 

Domingo, 30 de Novembro 2003

Partida de Geel às 8h30 em ponto para cumprir a agenda super-planeada!

Visita a Sint-Gillis-Waas:

9h30 Visita a quinta de fruta, e produção de vinhos de maçã de Berten e Isabel, com apoio de Julien e Josefien. É uma quinta biológica onde os insectos e pássaros são valorizados.

11h Recepção na Câmara pela vereadora da Câmara, responsável pelo pelouro do desenvolvimento, com presença de outros responsáveis da Câmara. O discurso foi seguido por uma pequena actuação, muito apreciado.

Almoçamos na casa de Jozef Meersschaert e Godelieve de Meyer, que tiveram o apoio do filho Koen e família e da Kristin.

Para sobremesa recebemos os famosos pancakes da Bélgica. Todo o almoço foi superorganizado de forma que conseguimos cumprir o horário

Seguimos rapidamente para Bazel, mas uma corrida de bicicletas obrigou-nos a fazer um grande desvio.

Laurent tinha organizado, na perfeição, o acolhimento no Castelo de Vilain XIII, um dos proeminentes que assinou a constituição da Bélgica em 1830.

14h30 Actuação de "Finka Pé", e no fim o baterista do "Laatste Oordeel" acompanhou o ritmo do batuque.

15h30 Apresentação do trabalho do Moinho da Juventude

16h00 Lanche

16h45 Visita guiada ao Castelo

17h45 Visita guiada a Igreja restaurada de São Pedro do Século XIII.

18h45 "Encontro Cultural" na cave do Castelo e Lanche com sopa.

Estavam presentes a Saskia mais as 4 adolescentes holandeses que pretendem vir ao Moinho no próximo Agosto.

Foi um dia em cheio, todos gostaram imenso do bom ambiente, dos amigos divertidos do "Laatste Oordeel" e da beleza da aldeia, da igreja e do castelo.

19h30 Partida para Geel onde as famílias vieram buscar as mulheres, cansadas mas contentes!

 

 

 

Segunda-feira, 1 de Dezembro 2003

Partida de Geel prevista para as 10h, mas o desaparecimento das chaves da carrinha atrasou-nos. Com a ajuda das rezas da Fáfá lá se encontraram as chaves e chegamos em Leuven por volta do meio dia.

Acolhimento no «Leren Ondernemen, Aprender a ser empreendedor» pela Carlijne e Moo e as mulheres do Projecto.

Depois do almoço à Flamenga, o grupo foi v isitar a belíssima Cidade de Leuven com a Universidade que data do Século XV. Viram a Câmara, Praça do Mercado, Igreja, um café de estudantes e como não podia deixar de ser... os telefones..

A tarde foi o intercâmbio com as mulheres de "Leren Ondernemen", que estão a preparar uma viagem a Mali. Eles confeccionaram saquinhos para o chá da Ribeira, alguns feitos com tecido de Mali. Visitamos o Projecto de apoio às crianças e jovens, a sala de informática, o atelier de costura e a sala de reuniões.

17h30 - Jantar no Leren Ondernemen, com arroz "à volonté"

19h - Actuação de Finka Pé na sala "De Drukkerij", cheio de público cheio de entusiasmo pelo batuque.

 

 

Terça-feira, 2 de Dezembro 2003

Encontro ao pé da Câmara de Geel para a visita dos REIS da Bélgica.

Dimpke conseguiu convencer o Subintendente para deixar as mulheres de batuque na entrada da Praça.. e o Presidente da Câmara apresentou, como prometido, as mulheres ao Rei.

A fotografia registou o momento!

Depois fomos visitar a Feira semanal em Geel. Também na Bélgica há feirantes que enganam os clientes... a Mingas é que sabe!

Fomos almoçar na Escola Técnica de Geel. Os alunos da escola de hotelaria é que serviram o almoço. Foram também eles que prepararam os petiscos dos Reis..

Foi um óptimo almoço com vinho Merlot e sobremesas sublimes, sem faltar o speculaas.

Depois do almoço, Karel Aerts, director da escola guiou-nos pela escola enorme.. há uma rua pública e uma linha de comboio que atravessa a escola..

Fomos ver as turmas de hotelaria, muito ocupados com a preparação das doces para a festa de São Nicolau. Também a auto mecânica, electricidade, metalurgia...

O jantar decorreu no calor das famílias de acolhimento

 

 

Quarta-feira, 3 de Dezembro 2003

Manhã

Partida às 8h30 de Geel com 2 carrinhas.

Metade do grupo participou no workshop com responsáveis de ELKEEN de Hasselt. Foi Gie de Boutte e o seu colega, ambos da Universidade de Leuven, Faculdade de Direito, Departamento de Criminologia, que orientou a sessão sobre "A teoria da Interligação".

O jogo de apresentação, o reconhecimento dos valores, o reconhecimento da importância das conversas durante o lavar da loiça ou o cozinhar foram elementos que proporcionaram o "encontro verdadeiro" entre os 2 grupos, tão diferentes a nível de história, trabalho, habilitações literárias... Houve vários "aha-erlebnis"

Outro metade do grupo foi convidado por uma escola FREYNET de Hasselt, no quadro do projecto: conhecer e respeitar as diferenças. O interesse e a comunicação foi óptimo.. o tradutor gostou muito. As crianças aprenderam onde fica Cabo Verde, ouviram uma história, tocaram na tchabeta e aprenderam a dançar no ritmo do batuque.

Almoçamos juntos

Tarde

14h - 16h. Workshop com Greet Wielemans sobre terapia e batuque:

Foi uma experiência única: as mulheres a ensinar aos flamengos a canção "Polícia de Lisboa..." e o ban-ban e rabica... parece simples, mas para os europeus é complicado conciliar os 2 ritmos.

Greet interpretou a importância terapêutica do Batuque:

• a cantadeira canta numa frase um problema ou uma alegria. As outras repitam.. esta partilha é terapêutica

• o alternar é também terapêutico: EMDR descobriu esta força a nível dos olhos, mas o mesmo efeito acontece com braços ou pernas.. Encontra-se isto em muitos povos.

• A dança é feita num círculo e a dançarina pode entrar em trance porque tem o apoio das outras.

As mulheres do Finka Pé confirmam o efeito de catarsis que o batuque proporciona.

17h30 Jantamos em ELKEEN a cachupa de frango, preparada pela Dona Ida e a Filó em conjunto com os jovens, habitantes de ELKEEN de vários origens: belga, turco, italiana, checa, russa. Eles adoraram!

A Noite fomos a reunião da LOC em Geel. Fomos recebidos pela Rit Van Herbruggen. Apresentamos o PowerPoint e convidamos os presentes para o batuque!

Já muito cansadas ainda ensaiou-se a canção "um outro mundo é possível.." com alguns elementos do WOSHKOOR.

 

 

Quinta-feira, 4 de Dezembro 2003

Manhã

Partida de Geel às 8h30.
9h30 Turnhout

Os sindicalistas do ACV - sector Alimentação apresentam as suas preocupações e trabalho.
Porquê as mulheres trabalham numa secção separada dentro do sindicato?
Apresentação do Vídeo das Mulheres de Batuque
Apresentação do Powerpoint do Moinho.
Apresentação do vídeo das sindicalistas
Fomos muito bem recebidos com café, chá, bolos, aveia de estudantes.
Com as sindicalistas em conjunto fomos almoçar no restaurante social "het WEB" do Centrum Algemeen Welzijn. (empresa de inserção).
Foi um almoço óptimo!

A tarde visitamos a loja de material reciclado do WEB. A responsável explicou os objectivos:
• Criação de postos de trabalho para pessoas com mais dificuldades
• Recuperação de material, evitando a poluição, respeitando o meio ambiente
• Proporcionar produtos baratos aos consumidores

Fizemos um intercâmbio com os delegados do Sindicato sobre o WEB: como se organizam, a formação, o que já conseguiram

Às 17h voltamos para as instalações do Sindicato. As mulheres apresentaram o batuque.

Depois fomos convidados para visitar as instalações do Sindicato. O Kris explicou os vários serviços.

Concluímos com um genever flamenga no escritório do Kris, recebendo mais prendas. Voltamos para Geel, onde cada um voltou para a sua família, tendo como jantar a típica batata frita belga.

 

 

Sexta-feira, 5 de Dezembro 2003

Às 8h30 estávamos todos na Escola Básica de Geel, escola onde Miek a filha da Dimpke e Pierre é professora. Horácio explicou que em Cabo Verde há pessoas de todas as cores e falou sobre o que é que é o batuque.. e as mulheres demonstraram.

As crianças entraram rapidamente no ritmo!

Partimos de Geel com autocarro às 9h45 para Bruxelas. Depois de algumas dificuldades lá encontramos a escola Superior, EHSAL.

Estava uma mesa pronta com pão francês recheado e com pratos vegetarianos.

Andrea Baele e Jos vieram dar apoio.

Houve alguma angustia da parte da organizadora: será que os alunos vem assistir, porque a participação é livre..

Mas estavam umas 50 estudantes e professores para ver o Powerpoint sobre o Moinho e para assistir e participar na actuação do Finka Pé.

Às 13h30 em ponto Mingas e Lieve estavam na rua a espera do táxi para ir ao Estúdio da VRT. Só pelas 14h25 apareceu... O taxista não queria falar flamengo e não queria receber o dinheiro em cheque da VRT... Foi um sarilho. Mas lá chegamos..

Na VRT foram ultra-simpaticos. Mingas cantou, Lieve contou sobre a ameaça que pretendem deitar a baixo o bairro. A entrevista foi emitido no Sábado de manhã.

Voltamos para Geel onde chegamos às 17h.. Fomos espreitar a sala de exposição / feira: estava lindíssima com os produtos da Loja do Comercio Justo.

Preparamos o nosso pequeno stand.

Cada um foi jantar a casa das famílias e encontramo-nos às 19h. no Centro Cultural de WERFT de GEEL. Fomos para os camarins.

Às 20h15 a sala encheu com mais de 400 pessoas presente. A actuação de Finka Pé foi muito aplaudido.

No intervalo houve encontro com muitos amigos do Moinho. Às 21h30 ficamos todos estupefactos com a actuação do WOSHKOOR de Heist op den Berg: um coro com mais de 80 cantores, um decor feito em tricot pelos membros, familiares e amigos, inspirado no livro de Laura Esquivel. Foi lindíssimo. No fim, Finka Pé foi em conjunto com o coro cantar a canção Brasileira do FORUM SOCIAL "um outro mundo é possível" Abriu a Feira de Natal.

No bar festejamos o sucesso da noite e da viagem em conjunto com os organizadores!

 

 

Sábado, 6 de Dezembro 2003

Combinamos às 10h ao pé da loja do Comercio Justo.. Muitos beijinhos, lagrimas na despedida das famílias de acolhimento.

Horácio apanhou o comboio em Berchem e partiu na direcção de Amsterdam para se encontrar com uma das suas filhas.

A carrinha da Associação dos KAYAK recusou de levar as mulheres para o aeroporto, mas Mc Gyver, alias Pierre, resolveu a complicação.

Somente Dunda e Dona Isabel visitaram a catedral e a praça de Antwerpen.

Encontramo-nos no aeroporto... Fons, Jos e Wies, Kris e Lisette, Pierre e Dimpke, Paula e Alfred acompanharam-nos... Muitos beijinhos... lagrimas e lá fomos a procura do avião!

Partida no aeroporto em Bruxelas: 16h45

Chegada a Lisboa: 18h35 Voo 3506 de Virgin.

Chegamos bem, muito contentes, cheia de boas recordações e com muitas ideias!!!

 

 

Considerações finais

• Foi uma digressão formidável!

• Totta! Dói ao coração que a Totta chegou atrasada. Aprendemos que temos de afinar o sistema de apoio mútuo no grupo. Foi bonito que as colegas na Bélgica recolheram os presentes da Totta.

• O encontro entre as famílias de acolhimento e o grupo foi incrível. Durante a preparação da viagem, a Teresa, em nome do grupo pediu para arranjar um sítio numa caserna "nem que dormissem no chão", mas que ficassem todas juntas, porque não percebiam aquela língua e iam se sentir muito incomodadas. A Lieve, conhecendo algumas das famílias de acolhimento, sabendo que já estava tudo organizado, e acreditando na importância do encontro individualizado, informou as mulheres das razões e da importância delas ficarem alojadas nas famílias, duas a duas e com a falta da Totta, a Mimi sozinha.. Esta decisão foi certíssima.. Já depois da primeira noite, viu-se caras felizes. Ao longo da semana, cada uma dizia que estava na melhor família e cada família dizia que tinha a melhor convidada! Constataram que falando crioulo e flamengo se percebiam através da comunicação não-verbal... Só a Dimpke e o Pierre queriam trocar a convidada deles: a Lieve ajudava muito pouco na arrumação da casa...... A Virginia, que no documentário declara a sua aspiração para ser jornalista, não podia estar melhor. Na família onde dormia, as 2 filhas são jornalistas, uma dum jornal, outra na televisão! Recebeu já algumas lições sobre a vida irregular dos jornalistas! No dia da partida foi mais difícil... lagrimas! Esta estadia nas famílias foi, na avaliação, reconhecida com um dos pontos altos da digressão: todas ficaram no coração!

Aprendemos que nalgumas situações é importante decidir contra a vontade "expressa" da maioria, mas isto com a condição de que se esteja segura que a negação foi feita pelo desconhecimento e que as razões, para uma decisão contrária, são claramente explicadas.

• Foi óptimo, a sugestão da Rit, para oferecer a todas as mulheres uma máquina fotográfica descartável.

• Os Flamengos adoraram a dignidade e o orgulho das mulheres de batuque. Não precisavam do ouro para demonstrar a sua importância

• As rezas na igreja e as rezas da Fáfa ajudaram para estimular pensamentos positivos, nos momentos mais difíceis!!!

• Tivemos apoio de óptimos tradutores. A tradutora do Sindicato (Federação do Sector da Alimentação) comunicou que foi a tradução com mais sentido que ela fez na sua carreira!

• A organização da Dimpke e dos companheiros da Loja do Comercio Justo foi impecável! Foi importante a explicação sobre os objectivos, a organização e o funcionamento da Loja. Proporcionou às mulheres uma segurança de que há possibilidade de mudar estruturas e atitudes. "Aqui, um outro mundo é possível, se a gente quiser"

• Foi incrível a disponibilidade dos condutores-voluntários, Pierre, Jos, Gust, Kris, Fons, Dimpke e o facto do Centro de rehabilitação, a JOC e os KAYAK disponibilizarem as carrinhas.

• A nossa digressão foi barata porque tivemos em muitos sítios almoço oferecido e não houve necessidade de pagar aluguer pelas carrinhas. Financeiramente, a digressão custou a volta de 5.000 euros, que foram pagos pelo:

• Zuidergekte, o Festival financiado pela Câmara de Geel

• Lucros do Jantar da Festa de ELKEEN

• Lucros do Espectáculo no Centro Cultural de Geel.

O que faltava foi assumido pela Loja do Comercio Justo de Geel.

• Vale a pena reflectir sobre o facto da pontualidade das mulheres.. Na Cova da Moura, Finka Pé é conhecido pelos seus atrasos históricos. Na Bélgica, somente o primeiro dia houve algum atraso.. As mulheres estavam prontas com 1 até 2 horas de antecedência, e já tinham tratada da limpeza e arrumação na casa das famílias!! O facto de se aperceberem que em qualquer sitio em que chegavam, estava tudo organizado para as receber, contribuiu para assegurar a pontualidade.

• A comida... Custou um bocadinho.. não obstante, algumas têm saudade do pão Flamenga!!

• Os acolhimentos oficiais, Presidentes de Câmara de Geel e Bazel e vereadora de Sint-Gillis-Waas e Geel tiveram a sua importância: quem recebeu sentiu o apreço pelas mulheres portadoras duma tradição do século XVII. O extra, o facto do Presidente da Câmara de Geel apresentar o Finka Pé ao Rei e Rainha da Bélgica, ficou registado em fotografia e na memória de todo o grupo!

• O programa do primeiro dia, Sábado, foi muito bom para aclimatizar: As mulheres ficaram responsáveis por fazer a cachupa na Festa do ELKEEN.

• Foi importante a explicação às mulheres sobre o "porque da Festa", "o trabalho do ELKEEN com os jovens" e a necessidade de angariar fundos.

• O facto de terem a responsabilidade para fazer cachupa e doces, envolveu as mulheres na responsabilização pela festa. O contacto com os responsáveis de ELKEEN foi desta forma de igual para igual.

• O cartaz em linho com a poesia do Batuku foi uma óptima decoração, e ao mesmo tempo um reconhecimento da importância desta expressão

• As mulheres exprimiram que se sentiam como num casamento... na altura em que as panelas estavam ao lume, iniciou-se espontaneamente o batuque!!!

• Em Lovaina no "Leren Ondernemen" "Aprender a empreender", houve reconhecimento de actividades parecidas com as do Moinho. A explicação sobre o projecto das mulheres marginalizadas Belgas, que estão a fazer um projecto em conjunto com as mulheres de Mali, de forma a transmitir os seus conhecimentos para fortalecer a autonomia das mulheres de Mali, foi muito apreciado. Houve troca de tecidos tingidos de Mali e do Senegal.

• O Workshop, orientado por Gui Deboutte e Cie, do Departamento de Criminologia de Luvaina, com os responsáveis do ELKEEN foi um ponto alto:

• Houve várias aha-erlebnis. Um exemplo: o reconhecer pelas mulheres da importância de em conjunto preparar a comida, de lavar a loiça nas festas/ nos funerais para "arrumar" as emoções.. e a afirmação dos terapeutas, assistentes sociais, psicólogos belgas de que é durante o lavar da loiça em conjunto com os jovens, que acontecem as melhores conversas.

Greet Wielemans, terapeuta Flamenga, analisou os efeitos terapêuticos do BATUQUE:

• As mulheres, no seu batuque na tchabeta, fazem percussão alternadamente. Este princípio é utilizado no EMDR. A alternância tem efeitos terapêuticos a nível do cérebro.

• As mulheres vão cantando um problema / uma alegria, duma forma simples e partilham com as outras. O repetir da frase ajuda para controlar o problema ou a intensificar a alegria. O mesmo efeito é provocado pela partilha

• As mulheres cantam, sentadas numa roda, e proporcionam o dançar sem inibição, podendo chegar ao transe.

• O batuque proporciona uma harmonia entre corpo e alma.

• Até os Belgas tinham dito à Dimpke que o programa estava demasiado recheado. Mas nos optamos por este recheio, na óptica de evitar "saudades" e neste balanço temos de reconhecer que foi uma óptima opção.. Estávamos todas cansadas, mas felizes com o que vimos, exploramos, fizemos..

• No decorrer do programa apercebemo-nos dos grandes riscos que corremos com esta digressão:
- Doenças: mas tínhamos médico disponível
- Acidentes: tínhamos feito um seguros
- Mau tempo, estradas com gelo..

Houve previsão dalguns problemas, mas houve sobretudo um pensamento positivo que tudo ia correr muito bem! Sabemos que o nosso grupo podia ter sido notícia, se alguma coisa corresse errado... é tão difícil para os jornalistas publicaram alguma coisa quando as coisas correm todas bem!!!

• O ponto alto a nível das actuações, foi no Centro Cultural de GEEL, com o WOSHKOOR... uma sinergia com os 80 cantores que tinham feito 2km50 de tricot, simbolizando as bandeiras dos países, como pano de fundo na cena. Laura Esquivel inspirou-os e as canções a partir das poesias de Pablo Neruda levaram até o ponto alto: obatucar e cantar da canção do Forum Social "Aqui, um outro mundo é possível, se a gente quiser!"

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