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O olhar, apesar de nos parecer gasto por um muito contemporâneo excesso de uso, é um instrumento que pode resgatar. Do esquecimento, da solidão, da incompreensão e de toda uma série de sentimentos negativos. “Eles cumpriram o pretendido e ganharam uma nova ferramenta de comunicação e análise com o mundo exterior”, diz Miguel Ribeiro Fernandes, sobre os 23 moradores do bairro da Cova da Moura, na Amadora, que ele monitorizou num curso de fotografia, realizado entre Janeiro e Abril deste ano. As fotografias estão expostas, desde ontem e até 27 de Maio, na Casa da Imprensa, na Rua da Horta Seca, mesmo ao lado do Largo de Camões. São fotografias abrindo uma visão sobre o quotidiano do bairro, maioritariamente habitado por pessoas originárias de Cabo Verde e muitas vezes olhado apenas como um gueto. Foram tiradas por pessoas entre os 15 e os 86 anos.

 

 

Integrado num projecto europeu com o objectivo de promover a inclusão social através da arte fotográfica, o ETRA – Education Trough Re-habilitative Art-Photo, o curso assentou na formação e experimentação das técnicas da fotografia por cidadãos vindos de um contexto social bastante desfavorecido e, por vezes, extremado. Levado a cabo com a ajuda e intermediação da associação local Moinho da Juventude, que escolheu as pessoas, cedeu o espaço e “fez a ponte” com os alunos, o curso realizou-se dividido em dois grupos: um constituído por séniores, reformados, pessoas com baixa alfabetização e no limiar do isolamento social, muitas das quais nunca tinha utilizado uma máquina fotográfica; outro juntou “jovens e pessoas de meia-idade com atividade profissional e empenho na construção de uma identidade comunitária”. Para a maioria, foi a descoberta de um novo mundo.

 

O ETRA  decorre em seis países europeus – Dinamarca, Espanha, Estónia, Grécia, Itália e Portugal – e tem como finalidade “desenvolver uma metodologia de uso da expressão criativa através da fotografia como uma forma de pessoas desfavorecidas ou em situação de desvantagem desenvolverem processos de capacitação pessoal e de socialização”. Em alguns deste países, as pessoas envolvidas são, por exemplo, portadoras de deficiência ou toxicodependentes. Em Setembro, Lisboa recebe a exposição final colectiva deste projecto. A parte portuguesa do mesmo pode já ser apreciada e Miguel Ribeiro Fernandes, fotógrafo com experiência na imprensa, mostra-se satisfeito com o que foi alcançado. “Eles conseguiram tirar um retrato muito completo do bairro. E isto prova que a fotografia, apesar da actual banalização da imagem, continua a ser um método de comunicação válido e uma maneira de quebrar barreiras”, afirma.

Fonte: http://ocorvo.pt/2013/05/15/cova-da-moura-ve-se-ao-espelho-atraves-da-fotografia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=cova-da-moura-ve-se-ao-espelho-atraves-da-fotografia

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