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EQUAL - Emprego Apoiado

A missão principal deste projecto traduz-se no aumento do acesso dos jovens/ adultos ao mercado aberto de trabalho, através de planos individuais de suporte que, desenvolvidos numa perspectiva de empowerment , tenham em conta as suas potencialidades, interesses e necessidades.

Tendo por base uma perspectiva de empowerment e de defesa de direitos, este modelo tem como objectivo promover o acesso a um emprego remunerado no mercado aberto/competitivo de trabalho, sendo que este contexto constitui um espaço privilegiado para aceder a recursos económicos e benefícios sociais, para a aquisição e desenvolvimento de competências, para o exercício de papeis sociais valorizados, para o estabelecimento de novas relações e de redes de suporte social, fundamentais para uma participação e inclusão social efectivas.

Neste sentido, o Moinho tem investido na formação em posto de trabalho, através da promoção de estágios profissionais, e apostando numa forte ligação com o meio empresarial.

Consideramos que estas acções de formação em contexto de empresa têm proporcionado uma experiência para os jovens/adultos a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e competências profissionais e sociais, bem como um lugar que lhes proporciona uma experiência de trabalho significativa, aumentando a sua proximidade com o mercado de trabalho e as oportunidades de emprego.

Da nossa reflexão, temos verificado que a formação em posto de trabalho, ao proporcionar ao jovem/adulto a ocupação de um posto de trabalho numa empresa, trabalhando lado a lado com outras pessoas e colaborando na realização de tarefas profissionais comuns, tem constituído para estes uma oportunidade para o desenvolvimento de relações fora do bairro que contribuirão para desmistificar os preconceitos e estereótipos, para o alargamento das redes sociais e para a diminuição dos factores de exclusão.

Por outro lado, esta metodologia permite o desenvolvimento de percursos individualizados de inserção profissional e social, a partir da definição de projectos de vida claros e de acordo com os interesses, competências e necessidades de cada pessoa.

Deste modo, as pessoas podem identificar, comparar e avaliar várias opções profissionais, de forma a realizarem as escolhas com base nos seus interesses, aspirações e competências.

Procuramos, neste sentido, envolver os próprios jovens/adultos na construção, definição e implementação do seu projecto de vida, ao fomentar o seu processo de participação e de decisão individual a vários níveis: procura de emprego; definição da área de formação; contactos com empresas; definição das suas próprias necessidades e recursos; procura de soluções para resolução de problemas pessoais; familiares ou sociais; resolução de conflitos..

Uma outra componente essencial deste projecto é a existência de um sistema de apoio continuado e flexível que possibilite o sucesso e a manutenção do emprego e as oportunidades para o desenvolvimento da carreira.

Este apoio é fomentado pelo técnico de emprego apoiado, funcionando como uma estrutura mediadora, implicando neste processo os suportes naturais e os serviços comunitários existentes.

Nesta perspectiva, a potencialização de suportes naturais quer das empresas quer da vida social e familiar das pessoas são fundamentais.

O suporte prestado pelos colegas e pelos tutores (responsável na empresa pela promoção da formação e inserção do jovem/ adulto) tem-se constituído como um efeito positivo em termos do desempenho profissional e do fortalecimento das relações com a empresa, sendo tanto mais eficaz, quanto maior for o seu envolvimento no período de formação e no acompanhamento do processo de inserção.

Da mesma forma, o envolvimento da família e amigos neste mesmo processo é uma estratégia que permite uma maior facilidade de envolvimento da pessoa e uma melhor gestão e controlo por parte desta no seu projecto de formação e emprego (ex: conciliação da vida familiar com a vida profissional).

Por outro lado, outro aspecto a ter em conta é que o projecto individual de formação e emprego não pode ser considerado de forma isolada. Este é integrado em termos dum projecto de vida global, pelo que se articula com objectivos e necessidades em termos habitacionais, educacionais, sociais e de lazer, implicando uma articulação com outros recursos e serviços da comunidade.

A adaptação do modelo de emprego apoiado à esfera de intervenção do Moinho da juventude tem constituído um desafio no trabalho de terreno (intervenções territoriais), o qual tem funcionado como um processo em construção, feito de insucessos e sucessos.

 

Metodologia

Temos investido num acompanhamento que seja flexível às várias opções possíveis num projecto de vida: procura directa de trabalho, realização de um estágio profissional, procura de formação profissional, aumento das habilitações literárias.

As nossas estratégias de suporte têm-se baseado (de uma forma resumida) nas seguintes fases:

  1. Escolha de Emprego/ Formação

§Identificação e valorização dos interesses, conhecimentos, qualificações e competências - balanço de competências;

§Proporcionar informação sobre o mercado de trabalho e necessidades de formação;

§Construção de um portfólio (valorização das experiências pessoais e profissionais, quer formais e informais).

  1. Procura de Emprego/ Formação

§Elaborar currículos e cartas de candidatura;

§Procura de ofertas de emprego (jornais, internet,..);

§Procura de empresas para realização de estágios;

§Utilização da base de dados das empresas da Aerlis para a realização de estágios;

§Marcação de entrevistas;

§Contactos com empresas;

§Visitas às empresas;

§Identificação de cursos de formação;

§Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.

  1. Obtenção e manutenção de Emprego/ Formação

Temos apostado, sobretudo, na formação em posto de trabalho, através da promoção de estágios profissionais:

§No local de trabalho: procuramos envolver os empresários e colegas de trabalho, identificando inicialmente o Tutor que será responsável pelo acompanhamento e formação em posto de trabalho do jovem/adulto. Através de um acompanhamento periódico, em que se estabelece uma relação forte de proximidade entre técnico, tutor e jovem/adulto, procura-se em conjunto identificar necessidades de apoio a nível profissional e relacional. Existe, neste sentido uma reunião de avaliação de carácter mensal, na empresa, onde participam estes três elementos (e outros quando necessário, ex: colegas).

§Fora do local de trabalho: temos apostado num apoio individual, através de reuniões de acompanhamento, em que o jovem/adulto se desloca duas vezes por mês ao Moinho para as mesmas. Nestas reuniões o jovem/adulto faz um balanço/ reflexão de como está a decorrer o seu estágio. Por outro lado, procura-se envolver as redes individuais (familiares, amigos, outros profissionais) e coordenar com outros serviços necessários ao processo (INDE, Gabinete de Legalização do Moinho,..).

Nos casos onde existe quer uma procura directa de emprego quer de cursos de formação profissional, o nosso acompanhamento é feito através de um contacto permanente (através de reuniões de acompanhamento) com o jovem/adulto e com as famílias e amigos. Tal permite, apoiar o jovem/adulto nas dificuldades/necessidades que surjam.

No futuro, pretendemos investir, ainda, no suporte de grupo, promovendo reuniões entre jovens/adultos que já se encontram empregados e jovens/adultos que se encontram a iniciar o seu processo, funcionando este como um grupo de ajuda mútua ( ver dificuldades sentidas ).

  1. Suporte pós-colocação

§Mantendo um contacto contínuo com as empresas e/ou respectivos jovens/adultos e suas famílias.

Temos, ainda, investido na articulação com Associações promotoras de Iniciativas Locais, no que destacamos o trabalho desenvolvido com a Associação Nacional de Direito ao Crédito através da experiência do micro-crédito, a qual permite às pessoas a criação de negócios próprios. Esta estratégia visa a criação de emprego que vá de encontro a interesses, competências e motivações das pessoas.

 

Recursos

Na prática, temos apostado num trabalho em parceria com:

§Associações Empresariais (ex:Aerlis) - no sentido de sensibilização dos empresários e contactos com empresas;

§Associações promotoras de Iniciativas Locais (ex: Associação Nacional de Direito ao Crédito) - no sentido de articular a metodologia de emprego apoiado com outras iniciativas;

§Outros projectos Equal com objectivos semelhantes (ex: Plataforma Integrada da Amadora) - no sentido de aumentar e de articular a capacidade de resposta e de acesso a recursos;

§Empresas (caso de estágios profissionais) - no sentido de criar uma relação de proximidade;

§Organismos ligados à formação/educação (ex: Inde - ligada ao Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) - no sentido de aumentar as competências das pessoas;

§Outras entidades/ serviços (ex: Gabinete de Legalização do Moinho que articula com o SEF) - no sentido de responder melhor às necessidades e interesses das pessoas;

§Famílias e amigos - no sentido de facilitar o envolvimento e participação do jovem/adulto;

§Jovens/ adultos - chave fundamental para o sucesso do seu projecto de emprego: quanto mais próximo este projecto estiver das motivações e interesses do jovem/adulto, mais real e efectivo será o seu envolvimento.

 

Resultados já alcançados:

Este projecto já envolveu 44 pessoas. Procurámos investir na Igualdade de Oportunidades de forma a criar um critério de igualdade no acompanhamento das mesmas. Consideramos que esta etapa foi alcançada, tendo em conta que destas 44 pessoas, 22 são do sexo masculino e 22 do sexo feminino.

Como já foi referido, uma das nossas apostas consistiu na formação em posto de trabalho. Assim, foram promovidos 28 estágios, sendo a sua duração máxima de 6 meses.

De uma forma breve, o ponto de situação é o seguinte:

Dos 28 estágios promovidos:

§3 pessoas encontram-se ainda em estágio, das quais 2 têm já a possibilidade de ficarem contratadas;

§9 pessoas desistiram do estágio, das quais 2 continuam a ser acompanhadas;

§15 pessoas finalizaram o estágio e encontram-se contratadas com acompanhamento pós-colocação;

§1 pessoa finalizou o estágio mas não foi contratada, porém continua a ter acompanhamento.

Das 4 pessoas que se candidataram a projectos do Micro-Crédito:

§2 pessoas encontram-se com candidatura aprovada;

§2 pessoas encontram-se na fase de elaboração da candidatura.

Das 10 pessoas que acompanhámos em termos de procura directa de emprego/ formação profissional:

§7 pessoas desistiram do projecto por motivos pessoais;

§2 pessoas já se encontram empregadas;

§1 pessoa encontra-se num curso de formação profissional.

Encontramo-nos, ainda, a acompanhar 2 estágios curriculares

Por último, é de salientar, que destas 44 pessoas, 3 encontram-se em processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências. Contudo, existem outras 9 pessoas também integradas neste processo, embora não estejam a ter um acompanhamento enquadrado no âmbito do projecto.

 

Resultados

Ao nível dos grupos de trabalho, os produtos resultantes das acções são os seguintes:

§Manual de Boas Práticas sobre os Percursos Integrados de Inserção- inclui os instrumentos das fases do processo (Acolhimento, Auto-determinação, Inserção no Mercado de Trabalho, Pós-colocação).

§Formação de técnicos de emprego apoiado - incluí a mala formativa, o perfil do técnico, os instrumentos a utilizar.

§Formação de tutores - incluí a mala formativa, o perfil do tutor e instrumentos.

§Ferramenta informática - é um programa informático para utilização das empresas que inserem determinados indicadores de acordo com os objectivos do projecto, de modo, a que o candidato possa seleccionar a empresa conforme os seus interesses e necessidades e o mesmo para a empresa.

§Indicadores de qualidade - instrumentos que permitem aferir da qualidade do serviço de emprego apoiado realizado pelas organizações. Os indicadores destinam-se aos técnicos de emprego apoiado, ao serviço, aos candidatos e aos tutores.

§Prémio anual para empresários - um prémio que será entregue anualmente à empresa que melhor tem prestado serviço no âmbito dos objectivos do emprego apoiado.

§Manual de Boas Práticas sobre o Trabalho em Rede - é um manual que procura descrever, com a inclusão de narrativas, o funcionamento da Parceria de Desenvolvimento, do acompanhamento e avaliação do projecto, dos meios de comunicação utilizados pelos parceiros, da sustentabilidade e continuidade do projecto, das competências necessárias ao trabalho em parceria (sobretudo o empowerment individual e organizacional, as competências dos técnicos) e a participação do Fórum para a Diversidade e o seu papel no projecto.

§Mala formativa "Liderança e Cidadania".

§Mala formativa Partners in Policymaking - é um curso de auto-representantes e destina-se a pessoas com deficiência adultas e pais de crianças com deficiência.

§Mala formativa "Igualdade de Oportunidades".

§Manual de Reconhecimento e Validação de Competências Informais das auxiliares de acção educativa - é um instrumento que visa reconhecer e validar as competências de pessoas adquiridas por via informal ou formal ao longo da vida. É um instrumento inovador e que irá funcionar, quer em manual, em CD e por via Internet.

§Referencial de competências transversais.

 

Sustentabilidade

Todo o investimento no desenvolvimento deste projecto tem resultado na concretização da implementação do Gabinete de Emprego Apoiado. A reflexão sobre a sustentabilidade deste gabinete permitiu que procurássemos articular a prática de emprego apoiado com outras actividades já existentes no Moinho, nomeadamente os cursos de formação profissional.

Desta forma, as candidaturas que nos encontramos a elaborar para futuros cursos de formação profissional a desenvolver no Moinho, incluem já a componente de formação em contexto de trabalho, através da realização de estágios profissionais em mercado aberto de trabalho, implicando, desta forma, toda a metodologia de emprego apoiado.

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