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A festa de Kola San Jon, originária de Cabo Verde e que cruza a cultura dos antigos escravos com a dos colonizadores



A celebração do Kola San Jon no bairro da Cova da Moura, na Amadora, foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial português, segundo uma portaria publicada hoje no Diário da República.

A festa de Kola San Jon, originária de Cabo Verde e que cruza a cultura dos antigos escravos com a dos colonizadores, é festejada naquele bairro no fim de semana mais próximo do dia de São João, 24 de junho, e tem como elemento central um cortejo que envolve música de tambores e apitos, canto e dança.

O significado da celebração divide opiniões: enquanto há quem diga que se trata de uma saudação a São João (San Jon), outros relacionam a festa com a dança tradicional de Cabo Verde “kolar”.

A classificação assinada pela diretora-geral do Património Cultural, Isabel Cordeiro, deve-se à "importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da identidade da comunidade do Bairro do Alto da Cova da Moura", segundo o Diário da República.

A classificação desta tradição tinha sido proposta ao Governo em abril, pela Associação Moinho da Juventude, que contou com o apoio Universidades de Lisboa e Aveiro.

De acordo com a coordenadora da associação, Lieve Meersschaert, a classificação do Kola San Jon poderá "abrir as portas do bairro" da Cova da Moura a visitantes, bem como oferecer novos argumentos aos moradores para lutarem pela requalificação daquele espaço.

"Esta classificação é reconhecimento de uma cultura e das pessoas que vieram das várias ilhas de Cabo Verde e que conseguiram em diálogo fazer aqui esta festa e envolver as pessoas do bairro", disse.

Lieve Meersschaert adiantou à agência Lusa que a associação e os moradores vão pedir aos governos português e cabo-verdiano para que promovam junto da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a classificação do Kola San Jon como Património Cultural da Humanidade.

O Alto da Cova da Moura começou a ser ocupado na década de 1960, mas foi depois do 25 de Abril e da chegada de imigrantes africanos, oriundos sobretudo de Cabo Verde, que a autoconstrução se tornou maciça.

Hoje, estima-se que o número de moradores ultrapasse os seis mil, 60% dos quais de origem africana, e que dois terços trabalhem na construção civil, em limpezas e na restauração.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

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